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"AS DROGAS NÃO SÃO O PROBLEMA", AFIRMA PSIQUIATRA DURANTE EVENTO NO MPMG


Após ministrar, durante anos, inúmeras palestras em escolas sobre a relação dos adolescentes com as drogas, o psiquiatra e doutor em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Musso Greco passou a recusar os convites, confidenciou nesta segunda-feira, 5, a uma plateia cheia, durante mais uma edição do projeto Segunda-feira, 18h, na Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte. 

O motivo foi logo apresentado pelo médico, que é também psicanalista, coordenador do projeto psicossocial Desembola na ideia, realizado pela Associação Imagem Comunitária (AIC) na capital mineira, e ex-coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte. 

“Eu sentia que as palestras eram fracassadas, porque as pessoas não estão focando no que realmente importa. As mães sempre me procuravam no final com a mesma pergunta: ‘Doutor, como faço para o meu filho não cair nas drogas?’, como se os entorpecentes fossem o problema, o grande vilão”, revelou.

Ao longo da palestra Adolescentes, saúde mental e uso abusivo de drogas: um convite para desembolar as ideias, Greco defendeu a tese de que, se a sociedade tomar a droga como a causa, não vai avançar em relação ao tema. 

“O problema é o que seu filho está fazendo trancado no quarto, por que não vai a festas, não se interessa por nada, só demonstra agressividade. Esse é o problema. O foco deve ser a vida das pessoas, e não os entorpecentes”, ponderou.

O palestrante lembrou que as drogas estão presentes no mundo desde a antiguidade, em diferentes modalidades. Como exemplo da forte inserção dessas substâncias na cultura, mencionou os tradicionais brindes feitos com bebidas alcoólicas nos momentos de comemoração. 

“Há toda essa inscrição social, civilizatória, onde se tem a dimensão da droga como algo marcante. Porém, não é a droga que faz o toxicômano, mas o encontro dela com uma subjetividade propícia”.

Transtornos da adolescência
A adolescência foi apontada pelo psiquiatra como um período de transição delicado, de ressignificação do corpo, da família, das relações, naturalmente permeado por tormentos e que pode assumir proporções catastróficas em crianças rejeitadas. 

“Se a puberdade já é uma fase difícil quando o filho foi desejado, cuidado, amado, pensaram em um nome para ele, em um quarto, quando a pessoa é marcada pela rejeição desde sua chegada ao mundo, a situação fica muito mais complicada”. 

Neste contexto, as drogas passam, conforme Greco, a apresentar diferentes funções como tornar tolerável uma vida miserável, engrandecer a auto-imagem, melhorar imediatamente a potência para comer, sair de casa, relacionar-se e aliviar a frustração de expectativas próprias e dos outros. 

Ao falar das alternativas para auxiliar os adolescentes a enfrentar seus conflitos, o psiquiatra destaca a importância da escuta, “tecnologia barata e muito sofisticada”, na opinião dele. 

Buscar falar a linguagem dos adolescentes, adotando o diálogo como base para uma boa interação, tem se mostrado, segundo Greco, o melhor caminho. 

“O adolescente é, basicamente, alguém que precisa ser visto e ouvido. Os comportamentos de risco dos jovens devem ser abordados a partir de suas realidades menos visíveis, mais íntimas”. 

É essa aproximação do universo dos adolescentes a tática usada, desde 2008, pelo projeto Desembola na ideia, criado com a intenção de acolher os jovens, buscando sempre compreender e entender seus problemas. 

“O que aprendi nesse projeto, depois de anos tentando entender esses meninos, é que seja pela droga, pela violência, pelo abuso sexual, no final das contas, quando você se dispõe a escutá-los, o que vai aparecer é a dimensão do abandono. O abandono no sentido do desinvestimento do outro sobre ele. Uma vida que não foi planejada e que não há ninguém investindo para que ela vá para algum lugar”, compartilhou o palestrante. 

Dados
Alguns estudos foram citados pelo psiquiatra durante a palestra, entre eles, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com estudantes de escolas públicas e particulares do país, a maioria entre 13 e 15 anos. 

O relatório mostrou que o percentual de jovens que já experimentaram bebidas alcoólicas subiu de 50,3% em 2012 para 55,5%, em 2015, enquanto a taxa dos que usaram drogas ilícitas aumentou de 7,3% para 9% no mesmo período. 

Já os dados do Centro de Referência Estadual em Álcool de Drogas (Cread) revelam que mais de dois terços dos 1.976 dependentes químicos que buscaram ajuda experimentaram droga entre os 12 e 17 anos.

da assessoria

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