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DRONE LEVA AGRICULTURA DE PRECISÃO AOS EXPERIMENTOS NA FAZENDA MUQUÉM E INAUGURA PLANTIO PELO AR NA UFLA


A pesquisa no campo acaba de ganhar uma nova dimensão na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Literalmente.

Na Fazenda Muquém, onde já se planta, colhe e experimenta em larga escala, a inovação agora vem do alto: a aplicação de insumos passa a ser feita também por via aérea, com a incorporação de um drone agrícola às atividades experimentais.

Mais do que um novo equipamento, a tecnologia representa um avanço na forma de conduzir experimentos, ampliando a precisão, a agilidade e a qualidade dos resultados obtidos em campo.


Mais precisão, menos impacto
Um dos principais ganhos está na forma de aplicação. Diferentemente das operações tradicionais, o drone atua sem contato direto com a lavoura, preservando integralmente as áreas experimentais.

“O drone não causa nenhum dano às culturas. Ele permite aplicações mais rápidas, com melhor aproveitamento dos insumos e maior qualidade nos experimentos”, explica o professor João Cândido Souza.

Segundo ele, a mudança impacta diretamente a confiabilidade dos resultados. “Quando você evita interferências na área experimental, você ganha em qualidade de pesquisa”, completa.

Tempo de resposta e eficiência no campo
Além da qualidade, a tecnologia amplia a capacidade de resposta às demandas da pesquisa.

O drone permite intervenções em momentos estratégicos para as culturas, inclusive em condições em que o acesso com máquinas é limitado, como após períodos de chuva ou em áreas sensíveis.

“O drone é muito mais rápido do que o trator para esse tipo de operação. Ele consegue fazer a aplicação em menos tempo e com mais eficiência”, destaca João Cândido Souza.

Na prática, isso garante maior controle sobre o manejo experimental e mais eficiência na execução das atividades.

Tecnologia de precisão aplicada à pesquisa
Outro avanço importante está no nível de controle técnico da aplicação.

Com o uso do drone, é possível definir parâmetros como altura de voo, velocidade, vazão e faixa de pulverização, assegurando uniformidade na distribuição dos insumos e maior confiabilidade nos resultados.

“Você consegue garantir que a aplicação seja feita exatamente como foi recomendada, sem falhas”, explica Joana Amaral Anselmo, sócia da empresa fornecedora do equipamento.

A operação é majoritariamente automatizada: os parâmetros são definidos previamente e o equipamento executa o plano de aplicação com precisão.

Estrutura multiusuária para a pesquisa
O equipamento passa a integrar a estrutura multiusuária da universidade, podendo ser utilizado por diferentes projetos e áreas do conhecimento.

O uso será realizado mediante agendamento, atendendo demandas da própria Fazenda Muquém, da Fazenda Palmital, do CDTT e de outras áreas experimentais da UFLA.

“É um equipamento voltado exclusivamente para a pesquisa. A ideia é atender os projetos com agilidade e organização”, reforça João Cândido Souza.

Investimento com gestão FUNDECC
A aquisição do drone foi realizada por meio de seleção pública, com investimento de R$ 154,6 mil em um kit de drone pulverizador DJI.

O recurso é proveniente de projeto financiado pela FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais), com gestão da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC), responsável pela condução do processo.

Integração com a estrutura já existente
A chegada do drone se soma a outros investimentos recentes na infraestrutura da Fazenda Muquém, ampliando a capacidade operacional das pesquisas desenvolvidas no local.

“Antes, muitas atividades eram feitas de forma precária, com desperdício e dificuldade operacional. Hoje, com a combinação de máquinas e novas tecnologias, o ganho para a pesquisa é muito grande”, avalia o professor.

A ciência em números
Fazenda Muquém: 170 hectares
Área experimental: cerca de 60 hectares
Média anual: mais de 70 experimentos conduzidos
Envolvimento acadêmico: mais de 100 estudantes por semestre
Da terra ao ar: um novo ciclo na pesquisa

A incorporação do drone não substitui os métodos tradicionais, mas amplia as possibilidades da pesquisa agrícola na universidade.

Na prática, a Fazenda Muquém reforça seu papel como laboratório vivo — agora também com atuação aérea — integrando tecnologia, precisão e ciência aplicada ao campo.

*Por Simone Mendes, da assessoria da FUNDECC

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