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RESSOCIALIZAÇÃO: PRESÍDIO DE CAMPOS GERAIS INAUGURA A PRIMEIRA SALA DE AULA DA UNIDADE


O Presídio de Campos Gerais, no Sul de Minas, vive um momento importante. A unidade, que foi cadeia pública por mais de 60 anos, agora pertence à Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP). Recentemente, o presídio inaugurou a primeira sala de aula de sua história.

A obra, idealizada pelo diretor-geral Everton da Silva, contou com recursos da Cooperativa dos Cafeicultores de Campos Gerais (Coopercam), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representada pela presidente Laísa Helena Delfraro, e da empresa Falcão Tintas.

O espaço, que funciona dentro do presídio, vai beneficiar cerca de 20 detentos analfabetos ou que não concluíram o ensino fundamental.

“A possibilidade de começar e terminar essa etapa passa a ser uma realidade na vida deles depois da construção dessa sala de aula. Se todos pudessem ter acesso à educação de qualidade, não existiriam presos. Os caminhos percorridos pelos cidadãos são, na maioria das vezes, determinados pela falta de oportunidades na vida”, destaca o diretor-geral do presídio.

O evento de inauguração teve a participação de um coral formado por presos e regido pela professora de música, Maria Auxiliadora Ferreira de Souza, que trabalha voluntariamente no local há mais de três anos.

Entre os convidados, estavam o prefeito da cidade, José Eugênio da Silva, a secretária municipal de Educação, Roseli Meneses, além de professores e parceiros. Eles aproveitaram o momento para falar da importância da educação na vida dos indivíduos privados de liberdade.

O detento João Paulo Fonseca, de 30 anos, é um dos alunos do presídio de Campos Gerais. Ele só começou a cursar o primeiro ciclo do ensino fundamental agora e já percebe que o estudo traz mudanças.

“Já aprendi muitas coisas, como cálculos de matemática, leitura, comecei a escrever, vejo tudo com mais clareza”, relata.

A professora Elaine Portugal tem 19 anos de profissão. Lecionar dentro do presídio é uma tarefa diferente de tudo o que ela já viveu. Em menos de um mês de atividade, a educadora nota o interesse e a participação dos alunos, mesmo daqueles que, na infância e na adolescência, tiveram dificuldades causadas pela baixa frequência às aulas.

“Eles trocam ideias com os colegas e, quando surgem dúvidas, logo perguntam. Isso é muito gratificante!”, ressalta a professora.

 A primeira sala de aula do Presídio de Campos Gerais atende a duas turmas. No horário da manhã, as aulas vão das 08h30 às 10h30 para os detentos que cursam da primeira à quarta série do ensino fundamental.

À tarde, das 14h às 17h30, é a vez dos presos que estudam da quinta à oitava série. O aluno Anderson do Valle, de 27 anos, mudou a visão de futuro após iniciar os estudos e já imagina que vai abrir novos caminhos quando sair da prisão.

“Não vou encerrar os estudos aqui na unidade. Assim, terei mais oportunidade de conseguir emprego”, explica.

Outras melhorias 
De outubro para cá, a nova gestão do presídio de Campos Gerais fez muitas mudanças na estrutura da unidade.

Já foram entregues várias obras, como o novo parlatório, as reformas do pátio e da galeria, a construção de dois banheiros e do novo setor administrativo. Também estão sendo construídas duas guaritas e mais um banheiro. O objetivo é melhorar a visão do pátio e da parte externa.

Analfabetismo 
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, o município registrou cerca de 3.600 matrículas no ensino fundamental e 1.059 no ensino médio. A cidade tem uma população de 27.600 habitantes, sendo que 20% dos moradores são analfabetos. Um percentual considerado alto para os dias atuais. 

Na comparação com Cambuí, a 200 km de Campos Gerais, o analfabetismo corresponde a menos de 1% da população, que possui praticamente o mesmo número de habitantes de Campos Gerais, ainda de acordo com o IBGE.

com Pablo Abrantes - da assessoria

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