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CACHAÇA NÃO É ÁGUA, MAIS TAMBÉM REQUER CUIDADOS

CFQ leva informações sobre segurança dos alimentos a evento sobre cachaça de alambique

Ao contrário do que muitos pensam, cachaça de qualidade não arde o nariz, não deixa os olhos lacrimejantes e não queima a garganta. Quando bem-feita, é saborosa e exala um aroma especial. O que atrapalha a apreciação desse verdadeiro patrimônio nacional é a falta de informação, que auxilia até na prevenção de riscos à saúde.

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O Conselho Federal de Química (CFQ) estará no III Simpósio Brasileiro de Cachaça de Alambique e VII Seminário Mineiro de Cachaça de Alambique orientando os participantes sobre a segurança dos alimentos. Esta é alcançada por meio do controle rigoroso de toda a cadeia produtiva, da produção ao armazenamento e à distribuição.

A atuação do profissional da Química é essencial para garantir que os alimentos estejam dentro dos padrões exigidos e não representem riscos à saúde da população. Mas o apreciador de um bom produto também pode contribuir. Antes de ingerir qualquer bebida, o consumidor deve procurar pelos sinais de que aquele líquido é seguro. É preciso verificar se no rótulo há selo de qualidade, se consta o número de registro junto aos órgãos competentes, se a garrafa está bem vedada e a validade daquele lote de produção.

"Ele também pode derramar um pouquinho do líquido no copo e observar se há formação de pequenas gotas, que é um sinal de uma harmonização entre os componentes benéficos secundários", indica a professora do Departamento de Química do Instituto de Ciências Naturais da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e delegada regional do Conselho Regional de Química da 2ª Região (CRQ-II MG), Maria das Graças Cardoso.

Infelizmente, ainda são muitos os casos de contaminação. Eles podem ocorrer dentro da cadeia produtiva da bebida ou por inserção de contaminantes. Há também os riscos à sociedade causados pela produção clandestina das cachaças. "Quando a bebida não é bem-feita, o produtor não procede de acordo com boas práticas de fabricação ou não há higienização correta, a bebida pode ser contaminada com cobre ou apresentar uma grande quantidade de acidez, por exemplo", explica Maria das Graças.

Outro exemplo é o carbamato de etila, uma substância carcinogênica que pode aparecer no processo de fermentação. O excesso de cobre na produção da bebida pode provocar danos neurológicos, como tremores e rigidez. Por isso, a obrigação do produtor é fazer análises físico-química a cada três meses. "Há a necessidade de se coletar uma amostra do produto e enviar a laboratórios credenciados para que seja analisado de acordo com os padrões de segurança", explica a pesquisadora.

Para auxiliar os pequenos produtores, o Centro de Referência de Análise de Qualidade de Cachaça (CRAQC) da UFLA, coordenado por Maria das Graças, realiza periodicamente todas as análises exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a eles oferece consultas gratuitas.

"É importante que os produtores se filiem ao Conselho Regional de Química do seu estado e estejam atentos à legislação vigente", salienta a professora. "A partir do momento que ele tem o cuidado de realizar essas análises periodicamente, de trabalhar cautelosamente, não pulando etapas, cuidando bem da higiene e não adicionando outras substâncias a sua bebida, eu posso assegurar que terá uma bebida de excelente qualidade".

Serviço
Estande do CFQ no III Simpósio Brasileiro de Cachaça de Alambique e VII Seminário Mineiro de Cachaça de Alambique.
Data de realização: 16 a 18 de abril de 2026
Local: Centro de Eventos da Universidade Federal de Lavras (UFLA)

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