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SEMINÁRIO EM POÇOS DEBATE IGUALDADE RACIAL E OS IMPACTOS DO RACISMO ESTRUTURAL


“No dia 14 de maio, eu saí por aí
Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir
Levando a senzala na alma, eu subi a favela
Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci”.

A canção “14 de maio”, de Lazzo Matumbi, um dos expoentes da música negra brasileira, foi lembrada no 2º Seminário de Promoção da Igualdade Racial de Poços de Caldas “Que abolição é essa, Isabel?”, realizado nesta segunda-feira (25) durante todo o dia, no Espaço Cultural da Urca.

A letra, que faz referência ao dia depois da assinatura da Lei Áurea, que declarou extinta a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888, faz relação com a fala potente da palestrante principal do evento, a pesquisadora e ativista Carolina Rocha, mais conhecida como Dandara Suburbuna. “No dia 13, nós temos uma das menores leis do mundo, um parágrafo. E no dia 14, o que é que a gente tem?”, questionou.

Pós-doutora em Educação (UFV), doutora em Sociologia (IESP/UERJ) e mestre e graduada em História (UFF), ela apresentou a palestra “Abolição construída ou em construção?”. “A gente tem luta, a gente tem história, a gente tem trajetória”, reafirmou Carolina Rocha, ativista no campo das relações raciais e de gênero, racismo religioso, diálogo inter-religioso, educação, literatura negra e violência urbana.

Antes, o atabaque de Augusta Clementino e a dança de Lúcia Vera abriram os caminhos para a realização do seminário, que é uma realização da Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio da Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica.

“A realização do seminário amplia o debate sobre igualdade racial, memória e reparação. Discutir o pós-abolição é compreender que os impactos da escravidão ainda se refletem nas desigualdades enfrentadas pela população negra. Nosso objetivo é promover espaços de escuta, aprendizado e construção coletiva, fortalecendo a conscientização e o enfrentamento ao racismo estrutural”, destaca a coordenadora da Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, Nanci de Moraes.

Em sua segunda edição, o evento tem como objetivo promover reflexões sobre o racismo estrutural e seus impactos históricos e sociais na vida da população negra, além de fortalecer o debate sobre igualdade racial, direitos e reparação histórica. “A luta pela igualdade racial precisa ser diária, consciente e coletiva. Daí a importância da realização desse seminário, que é um convite à reflexão sobre justiça social, representatividade e combate ao racismo estrutural”, pontua a secretária municipal de Assistência Social, Marcela Carvalho.

A programação contou com palestras, rodas de conversa, apresentações culturais e dinâmicas em grupo, reunindo representantes do poder público, movimentos sociais, educadores, estudantes e toda a comunidade interessada no tema.

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