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PESQUISA APONTA RECUPERAÇÃO DA SAFRA DE CAFÉ


A safra de café 2026 em Minas Gerais deve apresentar recuperação na produção, mas ainda ficará longe de uma supersafra. É o que revela uma pesquisa inédita do Sistema Faemg Senar, realizada entre fevereiro e março deste ano, com 5 mil produtores assistidos pelo programa ATeG Café+Forte em diferentes regiões do estado, principal produtor de café do país.

O levantamento aponta que a produção média deve crescer 23,6% em relação à safra de 2025. O avanço é puxado principalmente pelo café arábica, com alta estimada de 22,8%, enquanto o conilon pode registrar crescimento ainda maior, de 37,7%. A produtividade média projetada é de 32,9 sacas por hectare.

Apesar do aumento, a safra 2026 é considerada de recuperação, segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes. “A bienalidade positiva, ciclo natural de maior produção dos cafeeiros, foi apontada por 54% dos produtores como principal fator para o aumento esperado. Ainda assim, as perdas médias estimadas chegam a 17%, reflexo das condições climáticas adversas registradas ao longo do ciclo”, explica.

A pesquisa também aponta aumento dos custos de produção, devido ao manejo mais intensivo exigido pelas condições climáticas. Mesmo com maior oferta, não há expectativa de forte pressão de queda nos preços, embora a volatilidade do mercado permaneça elevada.

Essa é uma estimativa observada entre os produtores assistidos consultados pela pesquisa. Os percentuais representam valores médios para o estado, com base na percepção dos produtores entrevistados. Nas diferentes regiões, esses números podem variar.

Clima impacta 40% da área de café
O levantamento mostra que o clima segue como principal fator de risco para a cafeicultura mineira. Cerca de 40% da área total de café foi impactada por eventos climáticos, o equivalente a aproximadamente 20,8 mil hectares.

Entre as principais intempéries estão altas temperaturas, seca prolongada, veranicos e chuvas mal distribuídas. O período mais afetado foi o de pegamento dos frutos, conhecido como chumbinho, responsável por 60% dos danos relatados. Também foram registradas perdas durante a florada e a pré-florada.

Os impactos resultaram principalmente no abortamento e queda de frutos, além de danos fisiológicos e fitossanitários. Como consequência, produtores precisaram intensificar o manejo, com ajustes nutricionais, reforço no controle de plantas daninhas e aumento do uso da irrigação.

“Houve também quebra do calendário agrícola, com atrasos nas pulverizações devido ao excesso de chuvas e calor, além da adoção de manejo mais reativo”, acrescenta a analista.

Preparativos para a colheita
Com a safra em fase final de desenvolvimento, produtores já iniciam os preparativos para a colheita. Segundo o agrônomo e supervisor técnico do ATeG do Sistema Faemg Senar na regional de Varginha, Guilherme Ferreira Marques, o planejamento deve começar com antecedência. “A lista de atividades inclui compra de panos, arruação, manutenção do terreiro, revisão de máquinas e equipamentos, além da contratação de safristas”, explica.

No Sítio Ouro Verde, em Varginha, o produtor Mateus Domingueti já iniciou a limpeza das ruas do cafezal para facilitar a colheita. Ele também concretou o terreiro, medida que contribuiu para melhorar a qualidade do café, que atingiu 84,5 pontos na safra passada. “Para 2026, nossa estimativa é colher de 28 a 30 sacas por hectare. Será uma colheita excelente”, afirma.

Revisão de máquinas evita perdas
Nas propriedades com colheita mecanizada e semimecanizada, a revisão das máquinas é essencial para evitar prejuízos. O instrutor do Senar, Roberto Vergueiro, destaca que a manutenção preventiva ajuda a reduzir custos e preservar a qualidade do café.

Entre as recomendações estão a limpeza do elevador para retirada de grãos antigos, revisão das peneiras, troca da água do lavador, manutenção do terreiro e regulagem da máquina de beneficiamento.

Contratação de safristas
Outro ponto de atenção é a contratação de mão de obra temporária. A gerente jurídica do Sistema Faemg Senar, Mariana Maia, reforça que a formalização é obrigatória desde o início. “É possível fazer contrato por prazo determinado, limitado ao período da safra, mas é indispensável cumprir todas as obrigações trabalhistas, como pagamento de salário, recolhimento de INSS e FGTS”, afirma.

Ela também destaca a importância do cumprimento da jornada de trabalho, do fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e da garantia de condições adequadas para o exercício da atividade, conforme a Norma Regulamentadora 31.

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