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COPA DO MUNDO: ANTES DO 1º TÍTULO, O BRASIL PASSOU POR POÇOS DE CALDAS


Poços de Caldas tem uma relação especial com a Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1958. Foi em abril daquele ano que o técnico Vicente Feola trouxe para Poços de Caldas um grupo de 35 jogadores que disputavam as vagas para a Copa da Suécia.

O Brasil ainda carregava os traumas das derrotas de 1950 e 1954 e buscava uma forma inédita de preparação. Pela primeira vez, a Seleção realizava uma concentração longa fora do Rio de Janeiro, apostando na estrutura, no clima e na tranquilidade da estância mineira.

Durante cerca de dez dias, a rotina dos atletas transformou a cidade. Os jogadores ficaram hospedados no histórico Palace Hotel, que se tornou o centro das operações da delegação brasileira. Ali aconteciam reuniões técnicas, avaliações físicas e momentos de convivência entre atletas que, semanas depois, entrariam para a história do esporte mundial.

Mas o que ocorreu em Poços foi muito mais do que simples treinamentos de futebol.

A preparação montada pela comissão técnica brasileira era considerada revolucionária para a época. Os atletas passaram por exames médicos completos, avaliações odontológicas, testes psicológicos e acompanhamento físico permanente. Houve também avaliações comportamentais inéditas no futebol brasileiro, enquanto médicos e dentistas buscavam eliminar qualquer problema que pudesse comprometer o rendimento dos jogadores durante o Mundial.

As manhãs frequentemente eram dedicadas aos cuidados físicos. Os jogadores utilizavam os recursos terapêuticos que fizeram a fama de Poços de Caldas, incluindo banhos termais, sessões de mecanoterapia e tratamentos de recuperação muscular. A cidade era vista como um ambiente ideal para fortalecer o condicionamento físico antes da viagem para a Europa. Os treinamentos aconteciam no Estádio Coronel Cristiano Osório. Foi naquele gramado que jovens como Pelé, então com apenas 17 anos, Garrincha, Didi, Vavá, Pepe, Zito, Gilmar e Zagallo realizaram atividades físicas, trabalhos técnicos e coletivos decisivos para a definição do grupo que seguiria para a Suécia.

Enquanto os treinos aconteciam, a população acompanhava de perto a movimentação dos futuros campeões. Fotografias preservadas pelo acervo municipal mostram jogadores caminhando pelas ruas centrais, descansando em frente ao Palace Hotel e convivendo com moradores. Muitos poços-caldenses testemunharam, sem saber, o início da maior trajetória da história do futebol brasileiro.

Os dias dos jogadores na terra das águas termais viraram tema da mostra virtual “A Seleção em Poços de Caldas”, com fotos de Antonio Lucio.

A ligação do município com as Copas do Mundo ganharia um novo capítulo poucos anos depois. Nascido em Poços de Caldas, o jogador Mauro Ramos tornou-se capitão da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Respeitado por sua liderança e capacidade técnica, ele foi o homem que ergueu a equipe brasileira após a lesão de Pelé durante o torneio e conduziu o país ao bicampeonato mundial. No centro da cidade, há uma estátua de Mauro Ramos, perto da Fonte das Rosas.

Nesta semana de abertura da Copa, quando o Brasil volta a sonhar com o hexa, Poços de Caldas tem motivos especiais para recordar sua participação nesta história. Afinal, muito antes da primeira estrela ser costurada na camisa amarela, uma parte daquele sonho começou a tomar forma na cidade. A Copa do Mundo começa nesta quinta (11) e o primeiro jogo do Brasil é sábado (13), às 19h, contra o Marrocos.

 

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