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ELES VÃO DECIDIR

Servidores técnicos administrativos serão o fiel da balança na eleições pela Reitoria da Ufla no ano que vem


Crise gradativa: Reitor obtêm exito em viagens e agenda em ministérios, mas desgaste interno se agrava a cada dia

Após quase 3 anos já concretizados da sua gestão, o reitor José Roberto Soares Scolforo obtêm conquistas positivas e importantes, mas enfrenta um forte desgaste no ambiente interno da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Aliado a estes fatores, a gestão do reitor também sofre com o desgaste político local. Apesar de poucos pessoas comentarem publicamente, posições pessoais de José Roberto Scolforo adotadas desde as eleições municipais de 2012 e nestas últimas eleições presidenciais deixaram a comunidade preocupada.

Opção pessoal e a imagem institucional
Em 2012, a cidade tinha três candidatos a prefeito. Marcos Cherem, do PSD, de oposição ao grupo político vigente; Dehon Junio de Moraes candidato do PT e do grupo político do ex-prefeito Carlos Alberto e Silas Costa Pereira, último diretor da Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) e primeiro reitor da UFLA. Silas Costa Pereira era o candidato do PSDB, grupo político da então prefeita Jussara Menicucci e do então governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves.

Nos mais de 100 anos da instituição, os seus gestores sempre procuraram se ausentar das disputas políticas locais. O apoio pessoal dado pelo reitor ao candidato eleito à época Marcos Cherem, provocou um grande desgaste interno e externo e causou até o rompimento de alguns relacionamentos, até então, preservados junto a universidade. Mesmo tendo sido uma escolha pessoal, a atitude do dirigente não foi bem vista no ambiente acadêmico, principalmente pelo fato do candidato derrotado à época, ter sido o primeiro reitor da instituição.

Cherem saiu vitorioso das urnas em 2012, mas teve o mandato cassado em setembro deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tomou posse então, o segundo colocado, professor Silas Costa Pereira. Desde que Silas assumiu a prefeitura, o reitor e o prefeito ainda não foram vistos em um mesmo evento público. Em 2012, o reitor José Roberto Scolforo estava em seu primeiro ano de mandato da sua primeira gestão à frente da Universidade Federal de Lavras.

Nas eleições deste ano, mais polêmicas. Os desdobramentos das urnas foram alvo de comentários até em uma tradicional rádio da cidade, onde lideranças políticas questionaram o apoio dado pelo dirigente a políticos que segundo eles não são da cidade, em vez de apoiar os chamados "candidatos da terra". Além disso, nunca antes na história da instituição havia ocorrido a presença de um oficial de justiça cumprindo mandado de busca e apreensão eleitoral dentro Campus.

Aécio, em maio de 2009, como governador de Minas, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela UFLA. Já Anastasia esteve na Universidade Federal de Lavras em maio de 2012. Naquela ocasião, a instituição homenageou os gestores e professores que marcaram importantes fases da instituição, entre elas estava o professor Silas Costa Pereira. Naquela ocasião também foram comemorados os 18 anos da transformação em universidade federal.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também tem um título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Lavras. Também são Honoris Causa pela instituição o ex-presidente Itamar Franco, à época governador de Minas e homenageado na gestão Fabiano do Vale e Henrique Paim, atual ministro da Educação, homenageado na gestão Scolforo.

Caminhos na política
Da Universidade Federal de Lavras já saiu três prefeitos. O primeiro foi o professor João Batista Soares da Silva, que exerceu 2 mandatos como prefeito de Lavras. Antes de ser eleito prefeito, João Batista já havido ocupado o cargo de vice. Já Fabiano Ribeiro do Vale (PSDB), segundo reitor da história da instituição, ocupou a chefia do Executivo de Itutinga, cidade distante 39,8km de Lavras, também por 2 mandatos e segundo correligionários pode ser candidato novamente em 2016. Silas Costa Pereira (PSDB), que foi o último diretor da ESAL e primeiro reitor da UFLA, hoje é o atual prefeito de Lavras, com quase três meses de mandato já cumpridos.

Técnicos-administrativos
A situação do reitor José Roberto Scolforo também não é boa entre os servidores técnicos-administrativos em educação (TAE'S). O desgaste de sua gestão é ainda maior entre os técnicos recém-ingressos no serviço público. Os servidores estão sobrecarregados com o crescente volume de trabalho, em todas as áreas. É sentido nos vários órgãos e setores estratégicos da instituição, um aumento gradativo das necessidades de serviço, bem como da complexidade das diversas tarefas a serem executadas. 

Em dezembro de 2011, Scolforo foi eleito com 74,77% dos 2974 votos válidos (416 docentes, 390 técnicos administrativos e 2.751discentes). Na eleição, Scolforo tem a segunda melhor votação justamente entre os técnicos. Foram 77,7% dos votos entre os técnicos administrativos, 79,2% dos votos de estudantes e 69,6% dos votos de professores. Estima-se que hoje, o reitor da UFLA já tenha perdido 25% destes votos obtidos entre os servidores técnicos administrativos. Compareceram às urnas naquela eleição quase 90% de professores e técnicos administrativos e 40% dos estudantes com direito a voto.

Expansão, muito serviço e poucos servidores
À época da transformação, a Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) possuía apenas 7 cursos de graduação, 10 de pós-graduação, 221 docentes e 416 técnico administrativos em Educação (TAE'S). Após 19 anos, com o crescimento exponencial vivido pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) este quadro se expandiu para 512 professores ocupantes de cargo efetivo, além de 42 professores temporários e mais 501 técnico-administrativos.

A UFLA é uma das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) pertencentes ao primeiro grupo que aderiu ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Hoje a instituição sente os impactos do crescimento rápido de seu corpo discente e docente, não acompanhado no mesmo nível pelo corpo técnico administrativo. 

As vagas liberadas dos técnicos administrativos, quando plenamente ocupadas, elevaram nos últimos anos o número de servidores técnicos administrativos em educação para 510, enquanto a dos docentes, nas mesmas condições, chegaram a mais de 615, sem contar as novas vagas docentes para os cursos de engenharias e medicina. 

A alta idade média dos servidores da instituição com possibilidades de aposentadoria é de aproximadamente 30% nos próximos anos, um grupo que têm 25 ou mais anos de serviço. Uma parte importante dos servidores, os mais experientes, que deixarão a instituição, e, por outro lado, o surgimento de novas tarefas impostas tanto pelo Governo Federal, quanto pelos novos cursos que estão sendo criados. A UFLA conta com um dos menores quadros de servidores técnicos administrativos, entre todas as IFES. Outros 541 funcionários são terceirizados (via processos de licitação), em razão desse reduzido quadro de técnicos administrativos. 

Partindo da relação aluno/técnico tida como desejável, de 18 para 1, relação essa anunciada pelo Ministério da Educação (MEC), considerando que a UFLA ultrapassou 12.000 matrículas presenciais depois que os cursos implementados no REUNI tiveram todas as suas turmas preenchidas, o número de TAE’s deveria ser de aproximadamente 670.

Ponto eletrônico
Desde o dia 17 de novembro, sob clima de insatisfação, estresse e falta de orientações, os servidores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), passaram a registrar as ocorrências de entrada e saída das dependências da instituição por meio do ponto eletrônico, medida adotada pelo reitor José Roberto Scolforo. Um fato que também gerou muita polêmica foi que na Portaria do reitor os seus ocupantes de cargos de direção e assessores superiores, que são servidores públicos assim como os outros, mas com funções nomeadas em ocupações de sua confiança, (comissionados) estão livres de baterem o ponto. A medida é legal, mas gerou revolta entre os outros servidores.

A implantação efetiva do ponto se deu por uma denúncia feita junto ao Ministério Público Federal (MPF). Os trâmites começaram em 30 de março de 2012, por meio do Ofício PRAEC 02/2012 em resposta ao Ofício PRM/SRJ/GAB/AAMB nº276/2012. Em 24 de julho de 2012 por meio do OF/PRM/SRJ/GAB/AAMB n° 677/12 a direção da instituição foi informada sobre a abertura de um processo administrativo (1.22.014.000164/2012-15). Os fatos culminaram com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o órgão e a instituição e que caso não fosse cumprido, o MPF impôs o pagamento de multas diárias em caso de descumprimento de qualquer uma das obrigações assumidas.

Desafios
O grupo político do reitor José Roberto Scolforo ainda não tem um concorrente declarado para o pleito interno da universidade, mas o assunto eleições já faz parte das rodas de conversa no ambiente da interno da UFLA. Nesse caminho, quem for candidato terá que obter uma boa vantagem entre os servidores técnicos administrativos, já que eles são o principal elo de funcionamento da vida acadêmica. Os TAE'S executam, gerenciam e formulam todo o andamento das atividades dos docentes e discentes.

Scolforo tem pela frente o desafio de gerir os novos cursos de engenharia, implantar o curso de medicina, construir o hospital escola e lidar com a grande insatisfação dos novos servidores técnicos-administrativos com o ambiente da universidade. O setor de comunicação também uma barreira, sendo um dos tradicionais alvos de queixas de profissionais de imprensa e que foi uma das bandeiras levantadas por Scolforo quando de sua eleição em 2011. Recentemente a equipe de uma grande rede de televisão demonstrou descontentamento com o setor.

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