Fundada oficialmente em 2014, a ACNV reúne atualmente mais de 70 famílias associadas, totalizando mais de 300 pessoas, entre descendentes de japoneses e admiradores da cultura oriental. Ao longo de seus 12 anos de história, a entidade tornou-se referência na preservação e difusão das tradições japonesas, promovendo atividades culturais, educacionais e sociais abertas a toda a população.
Mais do que manter vivas as tradições de seus antepassados, a ACNV construiu um importante espaço de convivência e integração entre diferentes gerações e culturas, compartilhando valores como respeito, disciplina, solidariedade e união familiar.
Reconhecimento à contribuição cultural
Autora da homenagem, a vereadora Ana Rios destacou a importância da ACNV para Varginha, especialmente por proporcionar à população a oportunidade de conhecer e vivenciar a cultura japonesa.
“Uma coisa que considero muito bonita no trabalho da Nikkey é que ela não beneficia somente os descendentes japoneses. Ela proporciona a toda a população de Varginha a oportunidade de conhecer e vivenciar uma cultura tão rica. São momentos de convivência, troca de experiências, aprendizado e integração entre as pessoas”, ressaltou.
A vereadora também destacou a importância de os órgãos públicos apoiarem instituições que desenvolvem trabalhos relevantes para a sociedade e informou que destinou uma emenda parlamentar à ACNV.
“É importante que o poder público reconheça esse trabalho e, dentro de suas possibilidades, também contribua para que essas iniciativas tenham continuidade. Apoiar instituições sérias, que desenvolvem um trabalho relevante para nossa sociedade, é também uma forma de investir em Varginha e na nossa população”, afirmou.
Apoio do município
O prefeito Leonardo Ciacci, que não pôde comparecer à solenidade em razão de compromissos na sede da Prefeitura, encaminhou uma mensagem de reconhecimento à entidade. Ele destacou a contribuição da ACNV para o município e lembrou o apoio da administração municipal por meio da doação de uma área destinada à construção da futura sede.
“Registro meu apreço a todo o trabalho que a Associação Nikkey tem realizado em prol da nossa cidade. Efetivamos a doação de uma área para a entidade e tenho certeza de que esses trabalhos irão se intensificar ainda mais. Deixo meu reconhecimento e agradecimento a todos os integrantes da associação pelo brilhante trabalho já desenvolvido e por tudo o que ainda irão realizar em benefício de Varginha”, declarou.
O vereador Joãozinho Enfermeiro também ressaltou sua proximidade com a trajetória da entidade, lembrando que acompanha suas atividades desde os primeiros eventos, em 2014, e participou das articulações relacionadas à doação do terreno.
Para o parlamentar, a associação se consolidou como um importante espaço de convivência e intercâmbio cultural.
“Preservar a cultura é também preservar uma história, valorizar nossas origens e fortalecer os laços entre as pessoas. O Festival do Japão do Sul de Minas é uma iniciativa muito bonita, que mantém vivas as tradições e aproxima gerações, permitindo que toda a comunidade tenha contato com novos costumes e conhecimentos. Essa homenagem é um reconhecimento merecido pelo trabalho e pela dedicação de todos que fazem parte da Associação”, destacou.
Uma história construída por gerações
Durante a solenidade, o presidente da Associação Cultural Nikkey de Varginha, André Yuki, apresentou um panorama da história da entidade e da presença japonesa no município.
A associação começou a ganhar forma em 2013, por iniciativa de Akio Nishikawa, Ricardo Takei, Jorge Ishida, Nelson Kenso e Mário Ariake, sendo oficialmente fundada em 2014.
Entretanto, a história da comunidade japonesa em Varginha começou muito antes. Entre as famílias pioneiras está a família Miyaki, cuja chegada esteve relacionada ao trabalho no campo. Outro marco importante ocorreu em 1963, com a instalação da Companhia Brasileira de Caldeiras (CBC), ligada ao grupo Mitsubishi, que trouxe profissionais japoneses e suas famílias para o município, contribuindo para o desenvolvimento industrial da cidade.
“Por caminhos diferentes, essas famílias fizeram de Varginha a sua casa. Aqui trabalharam, criaram seus filhos, construíram amizades e passaram a fazer parte da história do município. A Associação nasceu do desejo de reunir essas famílias e preservar aquilo que recebemos das gerações anteriores, como o respeito, a disciplina, a solidariedade e a união familiar”, explicou André.
Atualmente, a entidade mantém uma programação diversificada, que inclui o Haru Matsuri, festival que celebra a chegada da primavera; o Keiro no Hi, dedicado à homenagem aos idosos; o Undokai, tradicional gincana esportiva que reúne diferentes gerações; e o Bōnenkai, confraternização de encerramento do ano.
Um dos principais destaques é o Festival do Japão do Sul de Minas, que reúne milhares de visitantes e proporciona ao público contato com a gastronomia, as manifestações artísticas e as tradições japonesas.
A ACNV também promove caravanas e intercâmbios com entidades coirmãs de outras cidades, fortalecendo os vínculos entre as comunidades nikkeis e ampliando a troca de experiências.
Atuação social e compromisso com a comunidade
Além das atividades culturais, a ACNV desenvolve ações de caráter social, com doações de cestas básicas destinadas a instituições de acolhimento de idosos e a famílias com crianças em situação de vulnerabilidade.
A entidade é uma organização sem fins lucrativos e possui reconhecimento de Utilidade Pública Municipal, concedido pela Lei Ordinária nº 6.278, de 17 de julho de 2017, e de Utilidade Pública Estadual, por meio da Lei nº 23.968, de 22 de outubro de 2021.
Em seu pronunciamento, André Yuki também prestou uma homenagem especial ao casal Roberto e Eva Nishiyama, falecidos durante a pandemia, destacando a contribuição de ambos para a ACNV e para a comunidade varginhense.
O presidente agradeceu ainda aos ex-presidentes, associados, voluntários, familiares e representantes do poder público que contribuíram para a consolidação da entidade ao longo dos anos.
Kaikan: um espaço para preservar a história e construir o futuro
Um dos projetos mais importantes da ACNV é a construção de sua sede própria, o tão sonhado Kaikan, palavra japonesa que designa um espaço de reunião e convivência.
A proposta é que o local seja um ambiente aberto à comunidade, onde os mais velhos possam compartilhar suas histórias, as crianças tenham contato com as tradições de suas famílias e a população possa participar de oficinas, celebrações e atividades culturais.
“Queremos fazer da nossa sede um ponto de encontro que acolha a comunidade e mantenha viva a memória das famílias que nos trouxeram até aqui. É muito bom imaginar diferentes gerações se reunindo, compartilhando conhecimentos e criando novas lembranças”, afirmou André.
Para 2027, a ACNV pretende dar continuidade às obras do Kaikan e trabalhar para a realização da terceira edição do Festival do Japão, além de ampliar suas ações culturais, sociais e de integração.
A Comenda do Mérito Cultural representa, assim, o reconhecimento público a uma entidade que contribui para preservar a memória de gerações, aproximar culturas e fortalecer os laços comunitários. Uma trajetória que demonstra como a valorização das próprias raízes também pode enriquecer a história e a identidade de toda uma cidade.
*Com Ana Luísa Alves


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